Microsoft
A Microsoft tornou-se um dos maiores fornecedores de software para microcomputadores, e participou da formulação das especificações do IBM PC, o mais vendido do mundo.
A Microsoft, hoje uma
empresa milionária, é uma história clássica de entusiasmo bem-sucedido, Bill
Gates, de 28 anos, seu presidente, em 1972 era apenas amador talentoso.
Na Seattle High School
– que a associação de pais e mestres teve a feliz ideia de equipar com um
terminal de computador ligado a um míni tipo DEC PDP-11 -, Bill aprendeu as
noções básicas de informática. Estudou depois na Universidade de Harvard, onde
obteve sua graduação. Ao voltar a Bellevue, iniciou-se nos negócios com o
colega de universidade Paul Allen.
A empresa que então fundaram
chamava-se Traff-D-Data, cujo trabalho consistia em monitorar o fluxo do
tráfego para o departamento de transito de Seattle. Ocorria um período de
desenvolvimento extraordinário do microcomputador: os primeiros
microprocessadores estavam surgindo e quem possuía um pouco de visão e
entusiasmo percebeu o grande futuro dos chips, como o Intel 4004 e mais tarde
8008. Na ocasião, Bill já estava inteiramente familiarizado com o mini DEC
PDP-11, e um de seus primeiros objetivos foi tentar localizar deficiências nesse
equipamento. Ocorreu-lhe que seria uma boa ideia adaptar o BASIC desse mini
para uso com o chip. Ele não tinha um sistema de desenvolvimento, e a primeira ocasião
em que o BASIC rodou na máquina foi quando Gates levou as fitas para Altair, em
Albuquerque, Novo México. Incrivelmente, rodou sem problemas logo da primeira
vez. Assim nasceu a linguagem MBASIC, que passou a ser empregada como padrão,
até agora insuperado.
A Microsoft estava
ficando conhecida como uma software-house especializada na adaptação de
sistemas operacionais a novos computadores – preencher buracos, por assim
dizer. Foi quando a IBM entrou em contato com Gates, solicitando seu conselho
sobre como configurar e equipar um computador pessoal.
Inicialmente Gates
sugeriu que Gary Kildall, da Digital Research – então no auge da fama com o
florescente sucesso do sistema operacional CP/M -, seria o homem indicado para
o serviço. Mas a IBM voltou a procura-lo, e a Microsoft acabou reescrevendo as
linguagens PASCAL, FORTRAN e MBASIC para micros de 16 bits, além de criar a
linguagem GU (de “geewhizz”, uma exclamação de surpresa) BASIC, com capacidades
musicais e gráficas ampliadas.
Ao mesmo tempo, Gates
percebeu que um sistema operacional multiusuário – um tanto desorganizado, mas
potente – da Bell Laboratories poderia ser adaptado para os micros mais
poderosos baseados nos novos microprocessadores de 16/32 bits. E transformou o
Unix no Xenix, que a Tandy e a Apple adotaram em seus próprios modelos de 16/32
bits, em 1983. Chegou a transpirar que a Microsoft teria sido responsável por
grande parte da nova criação da Apple, o microcomputador Macintosh.
A Microsoft tem
participação apreciável também no mercado amador. Em 1981, ela fundou a
ASCII-Microsoft e colocou um talentoso jovem japonês, Kay Nishu, para vender
seus sistemas operacionais e o BASIC aos fabricantes de micros portáteis do
Extremo Oriente – por exemplo, o NEC PC 8201 e o Tandy Model 100. Como resultado
do desejo dos fabricantes japoneses de características comuns, não somente para
as linguagens, mas também nas interfaces para periféricos, desenvolveu-se o padrão
MSX. O próximo passo da Microsoft, ao que tudo indica, será o formato
padronizado para discos, que possibilitará a transferência de informações entre
os três principais ambientes operacionais – o MSX, o MS-DOS e o Xenix.
Com sua ênfase em
softwares fáceis de usar, e baseados em recursos avançados como as janelas na
tela e o mouse, a Microsoft parece ter pela frente um brilhante futuro.
Padrão da indústria.
A Microsoft firmou sua
reputação no mercado em cima do sucesso do MBASIC e continuou a prosperar,
produzindo um sério desafiante ao CP/M – o MS-DOS, um sistema operacional
projetado para aplicação numa ampla gama de micros.
Seguindo a liderança determinada
pelo sistema terminal Star, da Xerox – desenvolvido pela Apple com o Lisa e o
Macintosh -, a Microsoft produziu um pacote combinando o software que divide a tela
em janelas independentes (o MS-WINDOWS) e o dispositivo para manejá-las: um
mouse com uma esfera conjugada a dois seletores para deslocar o cursor pela
tela.
fonte: rioGráfica - ano 1984
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